Nosso Princípio é de Desigualdade

     Caminhando pelas ruas de Copacabana pude presenciar uma cena comum em épocas de alta temporada, um marginal sendo pego por quatro policiais do GTM (Grupamento Tático de Motociclistas da PMERJ) em plena luz do dia. Gastei uns cinco minutos acompanhando a cena de perto, os policiais o seguravam pela camisa e o conduziam para algum ponto que não consegui ver mais. Um homem negro, aparentemente 35 anos (talvez tenha bem menos), estatura média ,o braço esquerdo engessado, calça verde pescando e uma camiseta preta surrada, imagino que tenha tentado furtar algum pedestre, mas é uma suposição. Fiquei meio em câmera lenta observando que até esqueci de perguntar a algum comerciante o que tinha havido. Algumas curiosidades vieram à minha mente, onde ele nasceu, quem é sua família, imaginei ele criança, as diferenças sociais, tudo não passa de uma conjectura minha, mas a maioria desses marginais, como a palavra diz, vive à margem da sociedade.

     Muitos trazem o argumento de que ‘vagabundo, não quer trabalhar’, ‘quem quer, trabalha’, mas acho esses argumentos muito rasos, sabe. Existe muita desigualdade no nosso país, poucos com muito e muitos com pouco, graças a ONG’s e projetos do Governo, a situação melhorou de alguns anos pra cá, mas tem que melhorar muito mais, não podemos achar normal pessoas morando nas ruas, não podemos achar normal pessoas tomando banho em águas das ruas completamente sujas, não podemos achar normal  pessoas que ficam dias sem comer...não podemos achar isso normal, tem que nos chocar. Já ficamos anestesiados tamanha a quantidade de pessoas nessa situação.

     Outro exemplo que quero expor é sobre cotas em universidades, quando estudava era super contra, mas hoje, 5 anos depois, consigo enxergar melhor sem o individualismo da situação, sou contra as cotas somente para raças, porque ser negro, branco ou índio por si só não faz ninguém melhor ou pior. Se há mais negros pobres temos que levar em consideração que há também negros ricos, então o rico teria um direito que na verdade não é dele e aí configuraria-se uma injustiça e as cotas não chegariam totalmente a quem deveriam, cor da pele não tem que entrar em pauta, pois mostra-se uma superioridade ou inferioridade, que é o que estamos tentando superar. Na minha época de vestibular, lembro que só pela cor a pessoa não disputava a cota, teria que ser atrelada a renda, aí, ok..aceitável, mas a cota deve ser SÓ  por renda baixa, será mais justo. Acredito que a porcentagem de cotas deveria ser proporcional a população jovem ( que é a maioria dos que ingressam às universidades) de baixa renda. Enquanto não há igualdade precisaremos de cotas, que a meu ver é um método paliativo, temporário. Há muito o que falar sobre desigualdade, não consigo abordar tudo aqui.

     Eu acredito que muitos programas sociais não governamentais têm feito um trabalho muito bom, igrejas, ONGs, centros independentes, centros espíritas, acredito que são essenciais para ajudar muita gente, eu conheço muitos projetos lindos...por exemplo, sopão para os moradores de rua, Cristolândia- recuperação  para dependentes químicos, atendimentos na área de saúde gratuitos, ajuda às gestantes e etc. O governo fez e faz sim, mas é uma pena que ainda haja muita corrupção, muito desvio de dinheiro e muita injustiça com o povo que realmente precisa, não sei como tem gente que rouba e consegue dormir em sua casa de 40 cômodos  sabendo que tem gente dormindo com um cachorro numa rua fria...

     Não sou do time que vitimiza os marginais com #maisamor, se errou, tem que pagar sim, mas realmente esquecer essas pessoas (ps. pessoas normais, tá gente..não esses casos de um homem que mata dois bebês, esse tem que ter tratamento psiquiátrico pesado e psicológico pra ‘se recuperar’) nos presídios, isso é tornar esse lugar um depósito humano, sem futuro, sem esperança, espero que haja um programa que recupere esses presidiários, não dando dinheiro mas emprego, atendimento psicológico, algo que o faça querer recomeçar e ter uma vida digna e saiam das margens e cheguem no centro da sociedade. Por fim, encerro, com uma frase que nunca mais esqueci desde que a ouvi no ensino médio, o princípio da igualdade:  "tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida em que eles se desigualam”.

     Beijo grande !

Comentários

Postagens mais visitadas